Fases

MENINA, MOÇA, MULHER, MATERNIDADE… MENOPAUSA, E AGORA?!

Foi aos 49 anos que me dei conta que a letra do alfabeto mais importante era a letra M…. M de Menina …. M de Moça…. M de Mulher…. M de Menarca…. M de Matrimônio ….M de Maternidade e M da temida Menopausa….

Parece que a gente se resume e leva uma vida inteira sob o comando da letra Mestre, O M!!! Eu passei por todos esses M de uma forma única em cada ocasião, e me lembro perfeitamente de todos esses momentos da minha vida.

E se você me der licença, aos 57 anos me sinto pronta para voltar lá no passado e entender o que o M significou na minha vida, vamos voltar nessa viagem repleta de emoções que é a vida da Patrícia de 50 anos atrás….

Lá estava eu, uma linda Menina Feliz que não gostava de brincar com bonecas pequenas, e que sempre pensava em comandar algo grandioso. Brincar de boneca e ser professora era muito básico. Eu gostava mesmo era transportar para as brincadeiras de criança a vida que eu via ao meu redor… eu queria ser grande! Usar maquiagem, salto alto, dirigir, ter um marido e filhos lindos e ser dona do meu próprio nariz…

Aos 6 anos, essa narrativa cabia dentro dos meus sonhos ocultos…

Aos 15 anos, no dia do aniversário de 40 anos da minha mãe, que eu achava velha, fiquei menstruada… chovia e fazia muito frio e minha mãe estava fazendo um “chá de 40 anos” para comemorar com as amigas essa nova fase da vida de uma Mulher Madura.

Me lembro de olhar o carrinho do chá, de algum século passado, e de pensar: será que quando eu for velha, e estiver fazendo 40 anos serei igual a ela?

Junto com a palavra velha, eu senti uma pontada no fundo do meu útero, que me fez sentir a maior dor que algum dia tivesse vivido….

E eu nem imaginava que a primeira menstruação, a primeira cólica, a primeira irritação de estar participando do chá de aniversário de 40 anos da sua mãe, era a última coisa que eu gostaria de viver naquele momento…

Eu queria mesmo era estar debaixo das cobertas e perguntar a Deus se era aquilo que todas as minhas amigas falavam que era ser mocinha.

E naquele momento eu não queria mais ser uma moça menstruada, eu queria mesmo era voltar a ser aquela menina do dia anterior.

Da menarca até virar uma mulher, fui aprendendo e me adaptando com as coisas que iam acontecendo, criando meu próprio código de sobrevivência da vida adulta, tão desejada e sonhada por mim.

Fui sonhando que aquele tal príncipe encantado que eu havia sonhado aos 8 anos viria em um cavalo branco pedir a minha mão ao meu pai e que seríamos felizes para sempre.

Foi aquela festa de matrimônio com que sempre sonhei.

Meus pais não mediram esforços para realizar todos os meus sonhos, e me casei como uma princesa: na Catedral Imperial com festa no Palácio Quitandinha, aonde Marta Rocha foi eleita Miss Brasil e ainda regado a Veuve Clicquot!!!

Um sonho que não demorou muito a virar um pesadelo….

Aos 26 anos, depois de um check geral, me sentia pronta para engravidar.

Olhei todos os signos e estações do ano e pensei: engravidar de setembro a janeiro seria perfeito.

E no dia 16 de junho de 1995, a maternidade chegou na minha vida.

Uma pontada nas costas, horas depois da bolsa estourar de madrugada, água quente nas costas, respiração no jardim…

às 8h24 da manhã nascia o maior amor que havia experimentado: o de ser mãe.

Foram 18 anos incríveis e mágicos.

Em 2013, aos 45 anos, meu menino foi viver sua carreira solo.

Foi cortado o umbigo umbilical pela segunda vez.

Mas dessa vez não foi da maternidade para casa, foi de casa para a faculdade.

Nesse momento eu nem imaginava que o climatério fazia parte dos meus dias…

Foram 7 dias de cama com uma angústia no peito, que eu só chorava e me perguntava por que estava doendo tanto.

Voltar para casa, me reorganizar e não pirar foram os novos exercícios dos meus últimos anos.

O tempo passou… 2017 chegou, assim como os 49 anos.

Já fazia 5 meses que eu não menstruava.

E lá fui eu pesquisar no google: o que é menopausa?

A palavra climatério apareceu na tela e eu nunca tinha sequer escutado esse nome.

Uma onda de pânico tomou conta do meu corpo.

Me perguntei por que nunca ninguém tinha conversado comigo sobre isso.

Sequei as lágrimas e disse para mim mesma:

Não adianta fugir da menopausa. Ela vai chegar, minha querida. Não é opcional!

E lá fui eu para a maior viagem da minha vida…

Resgatei meus cacos, olhei para o espelho e me comprometi comigo mesma a pelo menos tentar.

Eu já conhecia o fundo do poço, me reergui algumas vezes e não iria simplesmente desistir de mim.

Me debrucei diariamente em pesquisas e estudos sobre menopausa.

Percebi que aquela Patrícia cheia de hormônios estava se despedindo de mim.

E que uma nova Patrícia estava surgindo.

Voltei a escrever.

Sempre tive diário de tristeza quando era criança, e parecia que ressuscitar a escrita era a única saída para não enlouquecer.

E fui me dando conta que precisava ser minha prioridade.

Até então eu sempre me colocava por último.

E a menopausa me deu essa chacoalhada: e eu?

Eu tinha tempo para mim?

Eu ouvia minhas vontades?

E resolvi desativar o modo automático da minha vida.

Afinal, envelhecer é o caminho natural de quem tem o privilégio de poder contar sua história.

Hoje tenho gratidão por cada lágrima, cada angústia, cada sintoma.

Só assim pude aprender sobre climatério e menopausa.

E tive a oportunidade de reescrever a minha história.

Sou Patrícia Garboni. Criadora do “Menopausei e Agora?” e do “Cinquentei, e Agora?”, duas marcas que nasceram da minha própria experiência de atravessar o climatério e a menopausa sem informação, sem preparo e muitas vezes sem acolhimento.

O “Menopausei e Agora?” nasceu da urgência de entender o que estava acontecendo comigo e da necessidade de transformar essa vivência em informação e acolhimento para outras mulheres.

Cinquentei, e Agora?” é a continuidade dessa jornada, agora olhando para a maturidade feminina, os recomeços possíveis depois dos 50 e a construção de uma nova forma de viver essa fase com mais consciência e presença.

Hoje meu trabalho é transformar vivência em palavra, dor em consciência e silêncio em conversa.

Patricia Garboni
Quem escreve
Patricia Garboni Criadora de Conteúdo
Formada em Administração de Empresas pela PUC-SP, é mentora, palestrante e fundadora do podcast Cinquentei, e agora?, voltado para mulheres acima dos 40 anos. Seu trabalho é focado em combater o etarismo e encorajar mulheres a superar obstáculos pessoais e profissionais, ajudando-as a se relacionar melhor com essa fase da vida.
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