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Anvisa aprova primeiro remédio não hormonal para fogachos da menopausa. O que isso muda pra gente?

Se o calorão que chega do nada, inclusive de madrugada, já virou parte da rotina, essa notícia merece atenção.

No fim de junho, a Anvisa aprovou o fezolinetanto, comercializado no Brasil como Veoza. É a primeira terapia não hormonal desenvolvida especificamente para tratar os sintomas vasomotores da menopausa, os famosos fogachos e suores noturnos.

A nutricionista Carolina Holanda resume por que essa aprovação importa: “como mulher e nutricionista que escuta essa queixa todo dia, eu precisava trazer isso para vocês”.

Por que esse remédio é diferente

Até agora, quem sofria com fogachos e não podia ou não queria fazer terapia hormonal tinha poucas alternativas, geralmente antidepressivos usados fora da indicação original. O fezolinetanto entra como uma terceira via: em vez de repor o estrogênio que cai na menopausa, ele age direto no mecanismo cerebral que causa a onda de calor.

Explicando de um jeito simples: o cérebro tem uma espécie de termostato que regula a temperatura do corpo. Com a queda do estrogênio, esse termostato passa a receber sinais errados e interpreta uma temperatura normal como superaquecimento, disparando o calor e o suor. O fezolinetanto bloqueia o receptor que recebe esse sinal errado, ajudando a normalizar a resposta do corpo.

Os números que explicam por que isso importa tanto

Os sintomas vasomotores moderados a intensos afetam até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos, segundo dados da fabricante Astellas Farma. E tem uma diferença que chama atenção: 36,2% das brasileiras sofrem com fogachos intensos, bem acima da média global, de 15,6%.

A gente sofre mais. E, historicamente, teve menos opções de tratamento pra isso.

Quanto ao tempo, os fogachos costumam durar cerca de 7 anos, podendo se estender por mais de uma década em alguns casos, de acordo com dados médicos (Manuais MSD).

E agora, dá pra comprar?

Ainda não. A aprovação pela Anvisa libera o registro do medicamento, mas o preço e a data de chegada às farmácias brasileiras dependem de um processo regulatório posterior, conduzido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Em outros países onde o remédio já é vendido, como Estados Unidos, Canadá e Austrália, o custo mensal varia bastante, então não dá ainda pra saber quanto vai custar por aqui.

O que fica dessa notícia

Não é sobre correr pra pedir uma receita. É sobre saber que existe, a caminho, mais uma ferramenta pra quem convive com um sintoma que atrapalha o sono, o trabalho e o bem-estar, e que durante muito tempo foi tratado como “coisa da idade” e não como algo que merece cuidado de verdade.

Como sempre, qualquer decisão sobre tratamento passa por conversa com quem acompanha sua saúde de perto.

Carolina Holanda
Quem escreve
Carolina Holanda Nutricionista
Mãe de 4, jornalista, nutricionista que acredita em uma relação equilibrada e possível com a alimentação. Atua promovendo saúde da mulher, respeitando a individualidade e a rotina de cada pessoa.
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