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A clareza que só o tempo traz: o que Apples Never Fall diz sobre a vida que a gente vai deixando para depois

Tem uma pergunta que fica ecoando depois de assistir Apples Never Fall, série da Peacock baseada no livro de Liane Moriarty: se a gente soubesse, aos 25 anos, o que sabe hoje, viveria do mesmo jeito?

No centro da história está Joy Delaney, vivida por Annette Bening. Ela é uma ex-treinadora de tênis que, depois de décadas dedicadas à família e à academia que construiu com o marido, se vê diante das próprias escolhas. Uma mulher que passou a vida cuidando, organizando, segurando as pontas de todo mundo. E é aí que muita gente se reconhece.

A série toca em algo que a maturidade costuma revelar devagar: sem perceber, a gente vai adiando as próprias necessidades. Vai acontecendo aos poucos, num plano que fica para depois, num curso que pode esperar, numa viagem remarcada, num check-up que sempre dá para empurrar para o mês seguinte. Colocar a vida de quem a gente ama na frente da nossa vai virando quase automático.

Quando somos mais novas, existe aquela sensação de que vai dar para equilibrar tudo. O tempo passa, os filhos crescem, cada um segue o próprio caminho, como tem que ser. E muitas mulheres, nesse momento, olham para trás e percebem quanto da própria vida ficou em espera.

Essa desigualdade também aparece em números. Segundo a PNAD Contínua 2022, do IBGE, as mulheres dedicam em média 21,3 horas por semana aos afazeres domésticos e ao cuidado de outras pessoas, contra 11,7 horas dos homens: quase o dobro. E essa é só a parte visível. A carga mental, aquela lista invisível que ocupa a cabeça mesmo quando ninguém percebe (lembrar da consulta, do presente de aniversário, do remédio que está acabando, da reunião na escola), quase nunca entra na estatística, mas pesa todos os dias.

A maturidade traz uma clareza que seria bom conhecer bem antes: a nossa vida também merece espaço. Essa clareza não devolve o tempo que passou, mas muda algo importante, que é a forma como a gente escolhe seguir daqui para frente.

Enquanto a gente está viva, sempre dá tempo de tirar um plano da fila. De marcar aquele check-up. De lembrar que a nossa vez não precisa ser sempre a última.

E você, qual foi a clareza que o tempo trouxe? Marca aqui uma mulher que também merece lembrar de cuidar de si, e conta pra gente nos comentários.

Adriana Liberato
Quem escreve
Adriana Liberato Criadora de Conteúdo
Fundadora do Sou 40 Mais, plataforma voltada para mulheres 40+. Formada em Ciência da Computação, com pós-graduações em gestão, marketing e finanças. Baseada na Califórnia, seus conteúdos abordam maturidade, maternidade, saúde, comportamento e relacionamentos.
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