
A gente começa mais uma segunda-feira, e essa chega diferente. Estamos dentro do Julho das Pretas, na semana do dia 25, e talvez o que a semana peça não seja pressa. Seja um respiro. Um espaço pequeno para lembrar de onde vem a nossa força e de quem veio antes da gente para abrir esse caminho.
Porque nenhuma de nós chegou até aqui sozinha. A gente carrega, no corpo e na história, a força da mulher negra, latina e caribenha. A força de Tereza de Benguela e de tantas mulheres pretas que resistiram para que a gente pudesse estar exatamente onde está hoje.
Tereza de Benguela liderou o Quilombo do Quariterê, no atual Mato Grosso, por mais de duas décadas no século XVIII, resistindo até 1770. Ficou conhecida como Rainha Tereza. E o Julho das Pretas, que embala esse mês inteiro, nasceu em 2013, por iniciativa do Odara, o Instituto da Mulher Negra, em Salvador.
São nomes e datas que a gente precisa dizer em voz alta. Lembrar essas mulheres é parte de reconhecer a nossa própria linhagem.
A poesia dessa semana é de Audre Lorde
Audre Lorde (1934-1992) foi escritora, poeta e ativista norte-americana, e se definia como negra, lésbica, feminista, mãe, guerreira e poeta. A obra dela atravessa gerações porque fala de um lugar muito íntimo: o de se reconhecer inteira, com a dor e com a potência caminhando juntas.
O poema que a gente traz nessa segunda é “Para cada uma de vocês”. Ele abre com um convite ao mesmo tempo simples e enorme: ser quem você é. E, a partir daí, Audre pede que a gente proteja o lugar de onde nasce a nossa força, que não deixe a memória, os olhos nem o coração negarem aquilo que já viveram. Que a gente ame profundamente, cada vez, como se fosse para sempre.
E o poema se fecha com uma imagem que fica ecoando: falar com orgulho para as próximas gerações, contar de onde a gente vem, lembrar que há grandeza e realeza na nossa ancestralidade, mesmo tendo atravessado a escuridão.
É poesia que não pede pra gente ser mais do que a gente é. Pede pra gente se olhar por inteiro e valorizar o que já está aqui.
Um lembrete para levar a semana
Talvez seja isso que uma segunda-feira com poesia preta oferece pra gente. Se valorizar é herança. É reconhecer uma força que já vem de longe, que passou por Tereza de Benguela, que ganhou palavra na voz de Audre Lorde e que hoje mora também na sua história.
Que a gente entre nessa semana com esse presente no colo: o de olhar pra dentro e reconhecer tudo o que a gente é e tudo o que veio antes.
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