
Foi numa mesa de jantar, entre amigas que ainda nem chegaram aos 50. Uma perdeu a paciência com facilidade. Outra esquece palavras no meio da frase. Outra não consegue mais se concentrar. E então os maridos, rindo, soltaram a pergunta que ficou martelando: “vocês não são mais as mesmas”.
A gente quis rir junto. Mas ninguém riu.
Porque o que estava acontecendo ali não era sobre ter mudado. Era sobre não entender o que estava mudando. Cada uma tentando resolver um sintoma isolado, o sono de um lado, a ansiedade de outro, o esquecimento sozinho, sem imaginar que tudo podia estar conectado à mesma origem: o climatério.
Isso não quer dizer que ansiedade e depressão não existam
E aqui vale ser precisa, porque essa é a parte que costuma virar mal-entendido: o climatério não é a causa da ansiedade ou da depressão. Segundo o Portal de Boas Práticas da Fiocruz, ele funciona como uma janela de vulnerabilidade para esses quadros, não uma causa isolada — o que significa que qualquer avaliação precisa olhar para o conjunto, não só para o hormônio.
Mas a partir dos 40, a queda hormonal também precisa entrar na conversa. A FEBRASGO lista entre os sintomas mais comuns do climatério justamente irritabilidade, ansiedade e dificuldade de concentração com lapsos de memória. E não é raro que o primeiro sinal não seja a onda de calor que a gente já espera. É a sensação de que o corpo, a memória, a paciência simplesmente pararam de funcionar como antes.
Por que nomear isso muda tudo
Entender essa fase não é sobre ter uma explicação pronta pra tudo. É sobre poder investigar direito, sem confundir um sintoma isolado com uma doença grave, e sem se sentir sozinha tentando decifrar o próprio corpo.
E é sobre uma conversa que vai muito além do consultório: a que a gente tem com quem está do nosso lado. Porque se nem a gente entende o que está atravessando, fica quase impossível pedir pra alguém entender junto.

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