
Tem um cansaço que a gente conhece bem. Não é o de quem trabalhou o dia inteiro e vai dormir com a sensação de dever cumprido. É outro. É o cansaço de quem terminou tudo e mesmo assim foi deitar com a impressão de que ainda faltava alguma coisa.
A gente conversa com muitas mulheres, e é quase sempre a mesma história. Todo mundo exausta. E, o que dói mais, todo mundo achando que a culpa é dela.
Existem coisas que são inegociáveis, e a gente sabe. Trabalho, filhos, casa, saúde. Isso faz parte da vida, ninguém escapa e nem é disso que a gente está falando. O que passou do ponto foi o resto. Foi o momento em que o que devia ser prazer também entrou na fila das obrigações.
Dormir virou meta. A caminhada virou número no relógio. O cuidado com a pele, que podia ser um instante de parar e estar presente com a gente mesma, virou mais um item feito no automático. Um check atrás do outro. E no meio disso tudo ainda cabe cuidar dos hormônios, do sono, do coração, dos exames, da alimentação, dos filhos, dos pais, das contas. E, quando sobra um tempinho, ainda descobrir quem a gente é.
A gente gosta de se sentir ocupada. Estar ocupada virou a prova de que estamos dando conta. E a gente dá conta de muita coisa mesmo, é impressionante. Mas quando foi a última vez que a gente parou pra fazer a conta de quanto isso custa?
Porque no fim do dia, até o tempo que era nosso a gente não viveu de verdade. A gente cumpriu.
Talvez a pergunta que valha a pena guardar seja essa: de tudo que a gente carrega nessa lista, o que a gente escolheria continuar carregando se ninguém estivesse olhando?
A resposta de cada uma vai ser diferente. E tudo bem que seja. O que a gente queria mesmo era abrir esse espaço pra pensar, porque parar pra pensar já é um começo.

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