
Você acorda às 3h com o lençol encharcado, abre a geladeira só para sentir o friozinho e, no dia seguinte, esquece o nome daquela série no meio da conversa. Fica fácil colocar tudo na conta do estresse, da correria ou da semana puxada. Às vezes, porém, quem está falando é o corpo.
Neste 18 de outubro, Dia Mundial da Menopausa, a gente quer abrir espaço para uma conversa simples: reconhecer esses sinais e saber quando levar o assunto para uma profissional de saúde.
Por que existe um Dia Mundial da Menopausa
A data foi criada em 2009 pela Sociedade Internacional de Menopausa (IMS) para dar visibilidade a uma fase natural da vida da mulher que ainda chega cercada de silêncio e de informações desencontradas. Todo ano, a IMS escolhe um tema. Em 2026, o foco são as dores crônicas nessa fase da vida.
No Brasil, o assunto também ganhou novidade este ano. O Ministério da Saúde publicou um novo manual de atenção às mulheres na transição menopausal e na menopausa, que trata essa fase como uma etapa natural e integral da vida e recomenda um cuidado com várias áreas trabalhando juntas, como nutrição, atividade física e saúde mental.
Menopausa, climatério, perimenopausa: o que significa cada um
A menopausa é a última menstruação, confirmada depois de 12 meses seguidos sem menstruar. O período de mudanças que acontece antes e depois dela se chama climatério. Já a perimenopausa é a fase de transição, quando os sinais costumam começar, às vezes alguns anos antes da última menstruação.
Saber essa diferença ajuda a entender por que tantas mulheres sentem mudanças mesmo menstruando normalmente.
Os sinais mais comuns
Cada corpo vive essa fase de um jeito. Algumas mulheres sentem quase nada, outras percebem várias mudanças ao mesmo tempo. Entre os sinais mais relatados estão:
- Ondas de calor e suores noturnos, que aparecem de repente, inclusive durante o sono.
- Ciclos menstruais irregulares, mais curtos, mais longos ou com fluxo diferente do habitual.
- Sono mais leve ou interrompido, com dificuldade para voltar a dormir.
- Mudanças no humor, como irritabilidade ou mais sensibilidade emocional.
- Dificuldade de memória e concentração, aquela palavra que some no meio da frase.
- Dores nas articulações e nos músculos.
- Ressecamento vaginal e mudanças na libido.
Quando procurar uma profissional
A melhor hora para conversar é quando você começa a notar mudanças. Não precisa esperar que os sinais fiquem intensos ou atrapalhem a rotina. Quanto antes a conversa acontece, mais opções de cuidado ficam disponíveis, e o novo manual do Ministério da Saúde destaca justamente a importância de avaliar o tratamento no momento certo.
Alguns casos pedem atenção mais rápida:
- sinais de menopausa antes dos 40 anos;
- qualquer sangramento depois que a menstruação já tinha parado por 12 meses;
- sintomas que estão afetando o sono, o trabalho ou as relações.
Você pode procurar sua ginecologista ou a unidade básica de saúde mais próxima, pelo SUS.
Como chegar mais preparada à consulta
Uma consulta rende mais quando você leva algumas informações anotadas no celular:
- as datas das últimas menstruações;
- os sinais que você percebeu e há quanto tempo;
- como anda o seu sono;
- os remédios e suplementos que você usa;
- as dúvidas que você quer tirar.
Para levar com você
Ouvir o corpo é um jeito de cuidar de si com informação e calma. Se esse ainda não é o seu momento, este texto pode chegar em boa hora para uma amiga, uma irmã ou uma colega de trabalho. Compartilhar também é cuidado.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de uma profissional de saúde.
Fontes: Sociedade Internacional de Menopausa (IMS); Australasian Menopause Society; Ministério da Saúde: Manual de Atenção às Mulheres na Transição Menopausal e Menopausa (2026).
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