
Síndrome musculoesquelética da menopausa. Esse é o nome do que tirou uma colunista nossa do treino por seis meses. E a gente apostaria que você nunca ouviu falar dele.
A gente também não tinha ouvido.
Quando as dores começaram, anos atrás, ela já estava no climatério e não sabia. Chegou a achar que era alguma doença. Fez densitometria, fez exames, e nada aparecia. Enquanto isso, a dor era uma constante.
Foi estudando a menopausa, em conversas com a ginecologista que a acompanha há anos, que ela entendeu o que ninguém tinha contado: o estradiol, que a gente costuma associar só ao sistema reprodutivo, também ajuda a manter músculos, tendões, ligamentos, articulações e ossos saudáveis.
O que é, afinal
A síndrome musculoesquelética da menopausa é uma condição reconhecida pela ciência recentemente: um artigo de 2024 no periódico Climacteric apresentou o termo, relacionando a queda do estrogênio a um conjunto amplo de sintomas nos músculos, ossos, tendões e articulações. Estudos mostram que ela pode atingir até 70% das mulheres no climatério — e ainda assim, quase ninguém fala sobre isso.
Os sinais mais comuns incluem dor articular (muitas vezes sem nada visível nos exames), rigidez ao acordar, perda de força e de massa muscular, e queda na densidade óssea. É exatamente por isso que tantas mulheres passam por exames que “não acusam nada”, enquanto a dor continua ali, todos os dias.
Por que isso acontece
O estrogênio, especialmente na forma de estradiol, tem um papel de proteção que vai muito além da reprodução: ele participa da manutenção da massa muscular, da saúde da cartilagem e da densidade dos ossos. Quando os níveis caem na transição menopausal, essa proteção diminui — e o corpo sente.
O que muda a partir daqui
Essa descoberta muda algo de forma definitiva: a musculação deixa de ser opcional. A partir dessa fase, treinar força não é sobre estética. É sobre preservar músculo, proteger osso, manter autonomia e continuar fazendo, por muitos anos, as coisas que a gente ama.
Se você sente dores que os exames não explicam, vale conversar com quem te acompanha sobre essa possibilidade. Reconhecer o nome do que se sente já é o primeiro passo para cuidar dele.

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